Firme.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Cá estamos, firmes. Á espera da derrota. Cá estamos mortos A derrota não ceifa A glória alheia nos devora.

Eia eia ou.Firme! Forte.Pa! Eis as provas Meritíssimo, Os abutres não param de voar.

Pois cá estamos firmes E a glória alheia é veloz Veloz como as palavras Que soam a uma só voz. Zum!

Paralelepípedos á leste. Pronto socorro á oeste Atrás, escondida e surrada, A banda saúda a chegada De mais um pontuador, Exímio em suas caçadas.

O abutre Rei no fita, E seguindo a ordem, Canta a caneta, Cumprindo firme seu papel Papel manchado de atraso Que assim como e Rei, Cai em descaso

E os abutres ficam Sempre a repetir, Firme, Firme...Firme.

Os mudos bebem água?

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Continua sua caminhada pela asa norte.Meu Deus! Que calor!

Esperamos que o calor seja ao menos inspirador, não te remete ao sofrimento?

Sede? Raiva?...Talvez os três...E o meu preferido, sem dúvidas, é a Sede.

A sede te deixa sem palavras, a boca fica seca e mesmo que você esteja em um mar de idéias perfeitas e harmonicamente arquitetadas, é mais cômodo calar.

Calar e conceder é tão cômodo que já virou ditado popular e, cá entre nós, péssimo ditado.Pra onde foi parar aquela velha regrinha “nunca generalize”? Eu não posso mais ter o direito de ficar em dúvida? Não posso mais ter a opção de me abster de comentários?

sábado, 20 de outubro de 2007

Bem de perto ela fala

Reproduza a voz cansada.

Reproduza a voz amarga.

E bem de perto ela me fala.

Reescreva um livro empoeirado

E dos contornos dê um traço.

Tudo belo, nada fácil, linhas tortas de um diário.

Lave a roupa já manchada, com firmeza amarrotada.

E reproduza a sua mágoa, distribua a sua raiva.

E clame o mel da voz amarga.

Telha

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Para Ela, é tudo muito simples, atravessar o rio amazonas em uma telha.Ela fará isso, com certeza fará isso quando o rio desaguar em Brasília, fundindo-se ao lago Paranoá.

Para Ele, isso não passa de um sonho, todos sabem que o rio amazonas jamás passará pelo cerrado e, se passasse seria sugando pelas leguminosas do inferno.

O que eles tem em comum?A telha.Cinza e resistente telha, que já suportou cada tempestade.Que já assistiu momentos de paixão tão fortes quanto as correntes manauaras.

A telha é sem dúvidas, uma dádiva.

Aos domingos, eles plantam ventos em seus jardins.

Ás segundas, ela escolhe a dedo o cardápio da semana.

Terça, a telha nada vê. Quarta.A telha é limpa, encerada e bem tratada.

Quinta.Todos contam as horas.

Sexta a noite só voltam ao sábado

Sábado.É feita a colheita.

E lá está a telha, os protegendo, de novo, da tempestade.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Minha queria guitarra...é, ela não tem nome.Sem essa mongolisse de dar nome a guitarras. Meu amp que também não tem nome. Já as cordas tem nome Mi=miliardo Si=Simolinha Sol=Sereba Ré=Rebequinha Lá=Lala Mi=Miliardão.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O vento é tão bom e ao norte pessoas podem me fazer sorrir, patéticas com um certo brilho no olhar.

O vento continua vindo e os meus versos são todos iguais, o vento é um sopro divino, grandeza eterna que vem e que vai.

O vento é o amor puro, acaricia e leva tudo embora, ele é a síntese de tudo o que é vivo.Quando é hora de ir embora.

O mar chia noite e dia e só a noite é ouvido. Ele grita por socorro, chora um mar em meus ouvidos.

O mar me disse aos prantos que os homens agora tem velas, controlam seus destinos em seus reinados em caravelas.

O mar quer secar, o mar não é mais meu, o mar chorou de mais, agora volta onde nasceu.

O fogo é ira amarga, sem o vento não vive, no mar ele deságua.

O fogo dentro da terra é tudo, tudo é Terra, tudo é fogo, tudo é ira.

O fogo é assim, vento e mar.

Criação

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

E era uma vez três cachimbos, quentes, de madeira esculpida a conchas.Dentro de cada um havia três ervas, seus nomes eram: Aifos, Joana e Sofia.Joana queria ser fumada para deixar de ser erva e se tornar fumaça, assim alcançaria os céus e teria tudo o que é de posse do Senhor do Azul.Aifos estava triste, pois não sabia pelo que seria tragado, ele ia e vinha pelo cachimbo, o seu maior sonho era ser da paz, fazer a cabeça dos Homens e convencer um certo Saci de que não é preciso ser completo para saltar tão alto quanto as estrelas quando se tornam novas.Sofia...A erva Sofia era brilhante, uma artista incompreendida além do seu tempo, tão única que Aifos e Joana a invejavam.Quando finalmente o Sol era jovem e a Terra uma criança, o Senhor do Azul tomou em mãos os cachimbos e ofertou aos seus dois filhos, Vida e Morte.Todos se dirigiram ao limiar da existência e, por fim, ascenderam aquilo que fora proibido pelo destino.A Morte perguntou a seu pai o por que de não ter em seu cachimbo o terceiro elemento, Sofia.O Senhor do Azul prontamente respondeu: “Em teu domínio não poderá haver tamanha beleza. Quando tu chegares para atormentar os seres de meu reinado, o brilho de Sofia não estará nos olhos de ninguém que tenha em sua face as cicatrizes do ódio”.Já a Vida, completa e serena, não tinha muito que dizer ao Senhor do Azul, além de algumas simples indagações a respeito das etapas a serem compridas em um mundo perfeito.O Senhor do Azul, atordoado, vendo que a vida arcara com uma tarefa árdua, decidiu abrir mão do Céu e do Mar, tornando-se assim, apenas Senhor de tudo o que é morto e esta por nascer.Os vivos que não completarem as etapas de um mundo cômodo e se exilarem em suas mentes terão sempre o Azul para se contentarem com os fardos que a realidade concreta os obriga a carregar.O Senhor ao fumar o seu cachimbo, observou que Aifos e Joana havim matado Sofia.Como castigo, os obrigou a viver na Terra.Em cada um de nós há um brilho morto e quem não o fizer ressuscitar, terá a marca do ódio.