segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O infinito do infinitivo são ratos se debulhando em poças. E eis o fato de que: São muitos ratos me roendo e muitas poças me afogando e tem uns ou outros que insistem em me falar que o problema é o sono, mas já disse, já cansei de me explicar. Dormir de mais todo esses anos, to cansado de explicar e já é tarde pra acordar tampouco cedo pra dormir.Espere o tempo passar.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Eu quero um enredo, simples, sem palavras complicadas, sem metáforas, sem idéias desconexas esperando por alguém que as faça fazer sentido.Mas é difícil, complicado ao extremo, não sai nada organizado de mim.Tudo o que eu sinto, escrevo ou penso, é uma bagunça.O que eu falo não passa de falsidade, pois sendo sincero eu nunca construí castelos.Minto.Uns ou outros, fortes e eternos, mas são tão raros e escondidos.

sábado, 17 de novembro de 2007

Escrever sobre o amor é tentar salvar as migalhas, as ultimas gotículas de sangue de todo o sofrimento, de toda a alegria, de toda a confiança, de toda a superação que existe por traz de um momento.Falar de amor é não amar, pois quem ama, não fala; Quem ama reproduz.Verbalizar o amor é a essência da frustração, é solidão, é tudo o que eu não queria. Escrever sobre a morte é fuga, é utópico, é patético.Viver para falar da morte é como acordar para falar do sonho.A morte ocupa uma ínfima parcela das vidas, pensar no fim estando no meio, nessa altura dos fatos, já não é mais patético, é simplesmente burro. Escrever sobre a vida, para tal feito, precisaria amar e morrer.

Firme.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Cá estamos, firmes. Á espera da derrota. Cá estamos mortos A derrota não ceifa A glória alheia nos devora.

Eia eia ou.Firme! Forte.Pa! Eis as provas Meritíssimo, Os abutres não param de voar.

Pois cá estamos firmes E a glória alheia é veloz Veloz como as palavras Que soam a uma só voz. Zum!

Paralelepípedos á leste. Pronto socorro á oeste Atrás, escondida e surrada, A banda saúda a chegada De mais um pontuador, Exímio em suas caçadas.

O abutre Rei no fita, E seguindo a ordem, Canta a caneta, Cumprindo firme seu papel Papel manchado de atraso Que assim como e Rei, Cai em descaso

E os abutres ficam Sempre a repetir, Firme, Firme...Firme.

Os mudos bebem água?

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Continua sua caminhada pela asa norte.Meu Deus! Que calor!

Esperamos que o calor seja ao menos inspirador, não te remete ao sofrimento?

Sede? Raiva?...Talvez os três...E o meu preferido, sem dúvidas, é a Sede.

A sede te deixa sem palavras, a boca fica seca e mesmo que você esteja em um mar de idéias perfeitas e harmonicamente arquitetadas, é mais cômodo calar.

Calar e conceder é tão cômodo que já virou ditado popular e, cá entre nós, péssimo ditado.Pra onde foi parar aquela velha regrinha “nunca generalize”? Eu não posso mais ter o direito de ficar em dúvida? Não posso mais ter a opção de me abster de comentários?

sábado, 20 de outubro de 2007

Bem de perto ela fala

Reproduza a voz cansada.

Reproduza a voz amarga.

E bem de perto ela me fala.

Reescreva um livro empoeirado

E dos contornos dê um traço.

Tudo belo, nada fácil, linhas tortas de um diário.

Lave a roupa já manchada, com firmeza amarrotada.

E reproduza a sua mágoa, distribua a sua raiva.

E clame o mel da voz amarga.

Telha

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Para Ela, é tudo muito simples, atravessar o rio amazonas em uma telha.Ela fará isso, com certeza fará isso quando o rio desaguar em Brasília, fundindo-se ao lago Paranoá.

Para Ele, isso não passa de um sonho, todos sabem que o rio amazonas jamás passará pelo cerrado e, se passasse seria sugando pelas leguminosas do inferno.

O que eles tem em comum?A telha.Cinza e resistente telha, que já suportou cada tempestade.Que já assistiu momentos de paixão tão fortes quanto as correntes manauaras.

A telha é sem dúvidas, uma dádiva.

Aos domingos, eles plantam ventos em seus jardins.

Ás segundas, ela escolhe a dedo o cardápio da semana.

Terça, a telha nada vê. Quarta.A telha é limpa, encerada e bem tratada.

Quinta.Todos contam as horas.

Sexta a noite só voltam ao sábado

Sábado.É feita a colheita.

E lá está a telha, os protegendo, de novo, da tempestade.